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Alex Coletta

Memória, Processador e Placa-mãe

MEMÓRIA

Memórias são componentes que armazenam dados e programas. Existem dois tipos básicos de memória: ROM e RAM. Todo programa executado está na memória RAM. As memórias se diferenciam pelo formato físico, pelo número de vias, pelo tempo de acesso e pelo tipo de tecnologia empregado. Para compreender melhor acessar uma memória RAM é como se fosse pegar um livro que está ao lado de vários outros espalhados sobre uma mesa. Já o acesso na ROM é mais difícil: é como se fosse obter um livro que está entre vários empilhados numa mesa.

Tipo de memórias:

  1. ROM (Read Only Memory): Memória de apenas leitura. Esse tipo de memória, é utilizado em informações que não vão se modificar ao longo do tempo (exemplo: SETUP). Tipos de memória ROM: PROM (Programable ROM): essa memória ROM é programada eletronicamente apenas uma vez, onde a gravação é feita internamente, rompendo-se fusíveis. EPROM (Erasable Programable ROM): podem ser gravadas, apagadas e regravadas quantas vezes forem necessárias. EEPRO: é igual a EPROM porém a gravação é feita eletricamente, sendo muito mais fácil e rápido o processo.
  2. RAM (Random Access Memory): Memória de acesso randômico, ou seja, uma memória com igual facilidade de acesso a todos os endereços, onde o tempo de acesso a qualquer um deles, é constante. A memória RAM permite a gravação e leitura de dados e é volátil, isto é, perde o conteúdo na falta de alimentação. Em computadores são utilizadas para armazenamento temporário de programas e dados. Existem dois tipos de memória RAM: SRAM e DRAM.
  3. SRAM (Static RAM): só mantém a informação armazenada enquanto a alimentação estiver aplicada ao chip de memória. O custo da SRAM é alto, porém tem uma velocidade muito maior, mas ocupa muito mais espaço. Este tipo de memória é empregado na memória cache presente no processador, portanto, essa memória tem pouca capacidade de armazenamento devido ao custo.
  4. DRAM (Dynamic RAM): tem uma alta capacidade de armazenamento, baixo consumo de energia e baixo custo. A desvantagem é que a DRAM necessita de recargas periódicas para manter os dados, pois após pouquíssimo tempo, a capacitância começa a se descarregar. Devido a essas recargas, a DRAM torna-se mais lenta que a SRAM. Atualmente as memórias DRAM empregadas nos computadores utilizam as tecnologias SDRAM (Synchronous DRAM) ou DDR DRAM (Double Data Rate DRAM).

Veja abaixo a quantidade de memória DRAM em MB, exigida pelos Sistemas Operacionais da Microsoft, o Windows:

Versão

Mínimo (MB)

Ideal (MB)

Windows Vista Home Premium

1024

2048

Windows XP Professional

128

512

Windows 2000 Professional

64

128

Windows 2000 Server

64

256

Windows NT

64

128

Windows 98

32

128

Tempo de Acesso

O tempo de acesso da memória RAM, é o tempo decorrido entre uma requisição de leitura de uma posição de memória e o instante emn que a informação requerida está disponível para utilização pelo processador. O tempo para a memória colocar o conteúdo de uma célula no barramento de dados, depende da tecnologia empregada. Quanto menor o tempo de acesso, mais rápido o acesso é feito e melhor é a memória. Quanto maior a taxa de transferência da memória, mais dados podem ser transferidos e mais rápida será a memória.

Versão

Taxa

PC 100

800

PC 133

1066

DDR 200

1600

DDR 266

2100

DDR 333

2700

DDR 400

3200

PROCESSADOR

Processador é um chip que contém a CPU (Central Processing Unit – Unidade Central de Processamento). É responsável por buscar e executar instruções existentes na memória. O processador realiza operações de leitura da memória, recebendo dados e instruções a serem executadas. O processador também lê os dados do teclado, transfere os dados para o vídeo, para a impressora. O processador é ligado à memória através de dois canais de comunicação: o barramento de dados (onde trafegam os dados – os dados podem ser recebidos pelo processador ou transmitidos para a memória ou dispositivos de saída) e o barramento de endereços (onde o processador especifica qual a posição de memória a ser acessada ou qual o dispositivo de E/S a ser ativado).

Características de um processador

  • Tecnologia de Fabricação dos processadores: quanto menor o consumo de energia, menor o aquecimento, o que permite utilizar maiores freqüências (aumentando a velocidade no processamento). Quanto maior a capacidade de processamento, mais transistores são utilizados para construir um processador.Número de bits internos: é o número de bits do processador; quanto maior o número de bits do processador, mais rápido o processamento.
  • Número de bits externos: é o número de bits do barramento de dados. O processador também lê e armazena dados na memória e a velocidade de transferência de dados processador-memória depende do número de bits do barramento de dados. Na arquitetura moderna, o número de bits externos é o dobro do número de bits internos. Já que o processador transmite e lê informações.
  • Clock Interno: é a freqüência interna do processador. O clock de um processador determina quantas instruções podem ser executadas por segundo. Exemplo: Pentium 4 2.8 GHz, temos 2800 MHz = 2800000000 ciclos/seg.
  • Clock Externo: é a freqüência que o processador transmite os dados.
  • Memória Cache: geralmente vem soldada no processador. O controlador de cache lê o conteúdo da RAM e copia uma pequena parte para a cache. Com esse recurso, o computador se torna mais rápido, já que a memória cache, é feita utilizando a tecnologia SRAM, que tem altíssima velocidade (a SRAM ocupa mais espaço e é muito mais cara). Então uma pequena quantidade de memória do tipo SRAM (memória cache) é empregada para acelerar uma grande quantidade de memória DRAM (memória principal do computador). O processador obtém os dados diretamente da cache e enquanto esses dados são lidos, o controlador do cache, se antecipa e acessa mais dados da DRAM, transferindo-os para a memória cache. A memória cache interna, também é chamada de cache L1 (nível 1). Também temos a memória cache L2 (nível 2). Quanto mais memória cache, mais rápido o processamento.
  • Encapsulamento dos processadores: é a proteção utilizada no núcleo do processador, essa proteção geralmente é de plástico ou cerâmica. Tipos de encapsulamento: PGA (Pin Grid Array – Matriz de Pinos), que pode ser de cerâmica (CPGA), de plástico (PPGA) ou de waffer (FC-PGA); SEPP (Single Edge Processor Package) que é um encaixe linear único, sem pinos; SECC que é um encaixe linear único, que possui um cartucho que envolve todo o circuito do processador; SECC2 é o mesmo que o SECC, a diferença é que apenas uma face do processador fica protegida por um cartucho e a outra exposta para a fixação de um cooler. Na placa-mãe podemos encontrar um dos dois tipos encaixes para processadores: soquete (para o PGA) e slot (para o SEPP, SECC e SECC2).

PLACA-MÃE

A placa-mãe é a parte mais importante do computador, pois gerencia toda a transação de dados entre processador, memória, disco rígido e outros periféricos, além de fazer a interligação desses componentes. Podemos classificá-las em Onboard e Offboard. As duas categorias possuem em comum: slots, soquetes, conectores e controladoras diversos, dentre os quais podemos destacar:

  • Conectores IDE e/ou SATA para ligar unidades de disco (disco rígido, unidades de disquete, gravadores e/ou leitores de CD, DVD e Blueray).
  • Controladores de unidade de disquete — Floppy Disk Drive (FDD), portas seriais (COM1, COM2) e porta paralela (LPT1), USB entre outros.
  • Slots de expansão para encaixar placas adicionais.
  • Soquete de memória.
  • Soquete de processador.

A seguir seguem algumas diferenças entre as placas onboard e offboard.

Onboard: possuem periféricos integrados, menos slots1 e menor custo. Os dispositivos mais comuns que vêm integrados a essa placa são: áudio, rede, modem e vídeo. A principal desvantagem desse modelo de placa-mãe é a queda do desempenho de processamento e aproveitamento de memória RAM, principalmente quando a placa acompanha vídeo integrado. Já quanto ao som, modem e rede integrados, o desempenho da máquina diminui muito pouco devido ao baixo processamento exigidos por eles. Portanto, o uso dessas placas é mais comum atualmente por sua relação custo x benefício.

Offboard: não têm periféricos embutidos, possuem vários slots de expansão e seu custo é um pouco mais elevado. A vantagem é o desempenho elevado, pois as placas são instaladas separadamente na placa-mãe e possuem seus próprios gerenciadores de dados liberando o processador de executar essas tarefas e deixando de compartilhar da memória RAM da máquina. NOTA: Apesar de o jargão adotar o termo “offboard”, atualmente, é comum placas-mãe apenas sem o vídeo integrado serem chamadas de offboard.

DICA: Para saber a marca e o modelo de uma placa-mãe ou qualquer outro componente podemos utilizar softwares de reconhecimento de hardware, como o Aida32 ou Everest.
Componentes da Placa-mãe

  1. Gerador de Clock: é um circuito integrado responsável por gerar a freqüência do barramento2 local do processador. Em placas mais antigas, este clock pode ser configurado através de jumpers.
  2. Super I/O: circuito responsável por controlar vários periféricos que estão integrados na placa-mãe, como por exemplo, controlador de mouse e teclado PS/2, USB, controlador de portas3 (seriais e paralela), controlador de disquetes etc. Uma marca bastante presente nas placas, é a tailandesa ITE Tech Incorporation.
  3. Chip de Memória ROM: é um chip de memória somente de leitura que possui três programas embutidos: BIOS, POST e Setup.
    • BIOS: Basic Input Output System (Sistema básico de entrada e saída): é um programa presente na memória ROM, responsável por ensinar o processador manipular os dispositivos básicos do computador. Inclui rotinas para o teclado, monitor, discos, portas (seriais, paralela) e para dispositivos internos como data e hora.
    • POST: Power-On Self Test, realiza um teste inicial quando ligamos o computador que identifica a configuração instalada, inicializa os circuitos de apoio (chipset) da placa-mãe, inicializa o vídeo, testa a memória, o teclado e carrega o Sistema Operacional na memória entregando o controle do processador ao mesmo.
    • SETUP: programa de configuração do computador. Os ajustes feitos no setup são armazenados em uma memória de configuração chamada CMOS. A CMOS é uma memória do tipo RAM, portanto perdem-se os dados se não estiver sendo alimentada por uma fonte de energia, por essa razão existe uma bateria na placa-mãe do computador, senão perderíamos data, hora e configurações do setup ao desligar o PC. A memória CMOS está integrada ao chipset da placa-mãe. Uma bateria de Lítio dura aproximadamente três anos.
  4. Soquetes de Memória: soquete é um dispositivo com um conjunto de orifícios no qual se encaixa um ou mais plugues ou pinos. Soquetes de Memórias são utilizados para conectar a memória na placa-mãe.
  5. Soquete do Processador: é o encaixe onde o processador é instalado. Através do tipo do soquete da placa-mãe, podemos saber qual o processador que a placa-mãe suporta.
  6. Jumpers de Configuração: jumpers são pequenas peças plásticas que podem configurar diversas coisas, como freqüências do barramento, voltagem do processador. Os jumpers também servem para habilitar ou desabilitar recursos da placa-mãe e apagar o conteúdo da CMOS em algumas placas. Para saber para que serve cada jumper, deveremos consultar o manual da placa-mãe. Atualmente as placas são produzidas com o menor número de jumpers possível para facilitar a instalação, configuração e uso pelo usuário final. Caso esquecermos uma senha definida pelo Setup, em algumas placas é possível removê-la através de um jumper específico. A ASUS, por exemplo, batizou a redução de jumpers em suas placas de “Jumper free”, ou seja, livre de jumpers.
  7. Conector da Fonte de Alimentação: Existem dois tipos de conectores. AT: o conector AT possui 12 terminais em uma única linha e o plugue da fonte será dividido em dois de 6 encaixes cada, que deverá ser ligado na placa-mãe de maneira que os fios pretos fiquem seguidos uns aos outros. ATX: o conector é formado por 2 linhas de 10 terminais e tem um sistema de encaixe que impossibilita a conexão errada.
  8. SLOTS: são encaixes utilizados para conectar placas na placa-mãe. Vamos abordar os principais slots:
  • PCI (Peripheral Component Interconect) – Interconexão de componentes periféricos. São slots geralmente brancos que utiliza a tecnologia Plug and Play e operam a uma freqüência de 33 MHz podendo ter 32 ou 64 bits. Podemos conectar a maioria das placas de expansão existentes no slot PCI, geramente as placas-mãe possuem de 2 até 6 slots PCI.
  • PCI-e (PCI express) – um novo padrão de slot de tecnologia similar ao PCI com velocidade (freqüência) superior ao PCI e com o encaixe menor.
  • AGP: (Accelerated Graphics Port) – Porta Aceleradora de Gráfico. Na placa-mãe podemos observar no máximo 1 slot AGP e na maioria das vezes é marrom. Este slot é usado para conectar placas de vídeo. A vantagem é que o slot AGP, usa maior quantidade de memória para armazenamento de texturas para objetos 3D e possui alta velocidade no acesso a essas texturas para aplicação na tela. Há várias diversidades de slots AGP como 2x, 4x e 8x. A tecnologia é similar, mudando apenas o tempo de acesso e quanto maior esse número, mais rápida fica a interface, desde que a placa instalada opere também nessa mesma velocidade.

9) CHIPSET: gerencia todo o funcionamento da placa-mãe. É o circuito mais importante da placa-mãe, pois determina a qualidade da placa-mãe. Placas diferentes com o mesmo CHIPSET tem desempenho similar. O CHIPSET é dividido em 2 circuitos: Ponte Norte e Ponte Sul. North Bridge (Ponte Norte): controla as partes mais importantes da placa-mãe como, por exemplo, a memória RAM. Geralmente há um dissipador de calor acoplado na Ponte Norte das placas-mãe. South Bridge (Ponte Sul): também chamado de controlador de periféricos. Faz o interfaceamento com os periféricos integrados na placa-mãe, como portas IDE, controla o DMA, o Relógio e o CMOS.

1) SLOTS: encaixes.
2) BARRAMENTO, BUS: elo de comunicação que consiste em um conjunto de vias ou fios que conectam diferentes partes do sistema de hardware de um computador, e sobre o qual dados são transmitidos e recebidos por vários circuitos no sistema.
3) PORTA: é uma conexão física que permite a transferência de dados entre um canal de comunicação interno do computador e um outro dispositivo externo.

Para citar esse artigo utilize:
ALEX DE FRANCISCHI COLETTA. São Paulo. Disponível em <http://www.alexcoletta.eng.br/artigos/memoria-processador-e-placa-mae.html>. Acesso em: dd/mm/aaaa.